sábado, 28 de maio de 2011

'Máfia' dos flanelinhas em Niterói é revelada em dossiê

Relatório entregue por secretário de Segurança e Controle Urbano ao Governo do RJ mostra que empresas de outras cidades contratam pessoas para extorquir motoristas

Um dossiê que revela a ação de flanelinhas em Niterói foi entregue pelo secretário municipal de Segurança e Controle Urbano, Wolney Trindade, ao Governo do Estado. O documento denuncia que profissionais sem autorização da Prefeitura se apoderam de espaços públicos e cobram preços abusivos por estacionamentos em vários pontos da cidade. O texto relata que vários moradores chegaram a ser ameaçados ou tiveram seus carros danificados pelos flanelinhas.
O secretário afirma, ainda, que essa atividade é explorada inclusive por empresas de outras cidades. De acordo com Wolney, algumas instituições chegam a trazer funcionários para extorquir moradores de Niterói e dividir os lucros. A irregularidade estaria acontecendo na Rua Miguel de Frias, em Icaraí, há alguns meses.
“Temos informações de que uma empresa de estacionamentos da capital traz uma Kombi cheia de pessoas e deixa em pontos estratégicos. A Prefeitura nem tem como multar essa empresa porque ela não possui alvará em Niterói. Cabe à polícia investigar, prender os responsáveis e os trabalhadores e acabar com esse pesadelo dos motoristas de Niterói”, disse o secretário.

Extorção acontece pricipalmente no Centro, São Francisco e São Domingos
O principal ponto de concentração de flanelinhas durante o dia é a Avenida Amaral Peixoto, no Centro. À noite, a prática ocorre principalmente na Avenida Quintino Bocaiúva, em São Francisco, devido à localização de bares e restaurantes. Frequentadores de outros pontos de diversão, como a Praça Leoni Ramos, em São Domingos, também são alvos dos exploradores.
Além da retirada do dinheiro, os flanelinhas também fazem ameaças a motoristas que se opõem ao pagamento de um serviço inexistente. Alguns chegam a dizer que tiveram peças, como rodas, trocadas ou lataria arranhada por não aceitar a chantagem.
O estudante de publicidade Anderson Candido, de 23 anos, contou que teve o carro danificado após não atender as exigências de um flanelinha, em Charitas. “Eu e meus amigos viemos do Barreto para uma casa de show em Charitas em uma noite de sábado. Assim que paramos o carro veio um homem magro, alto, de bermuda e chinelo de dedo, dizendo que era R$ 10 e que tinha que pagar antecipado. Eu achei errado ter que pagar para colocar meu carro na rua, sem que eu tivesse qualquer garantia de segurança. Eu me recusei a pagar e ele disse que eu teria que tirar o carro e colocar em outro local. Insisti e quando voltei meu pneu estava furado”, relatou.
Operações – Os delegados da cidade afirmam que as operações “Parada Legal” são realizadas com frequência em toda cidade. Flanelinhas pegos em flagrante são normalmente conduzidos à delegacia, autuados por exercício ilegal da profissão e liberados em seguida, já que o delito é considerado contravenção penal e não crime.
A última operação foi feita há quinze dias pela 77ª DP (Icaraí). Desde o início das operações, no ano passado, dois flanelinhas foram presos em flagrante, porque além da contravenção, a polícia entendeu que se tratava de extorsão. As vítimas foram à distrital e registraram ocorrência. Fonte: O Fluminense

 

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