Desde os 10 anos de idade, Gustavo Richard Oliveira da Silva, 26, está nas ruas trabalhando como flanelinha cuidando dos carros estacionados na região da ALESC (Assembleia Legislativa de Santa Catarina). Ele que fez até curso de segurança, diz que pretende trabalhar na profissão, mas não quer deixar o ganha-pão do cuidado de carros. Quando soube que a Prefeitura Municipal de Florianópolis quer regularizar a profissão dos flanelinhas, Gustavo ficou ainda mais confiante. Para debater o assunto, a Câmara de Vereadores de Florianópolis deve marcar uma audiência pública, aprovada na última terça-feira (16).
“Seria muito bom ter uma situação mais segura. Hoje eu consigo ganhar uns R$ 150 nos dias bons”, diz o flanelinha que tem clientes fixos, pessoas que o confiam até a chave do carro para possíveis manobras. Gustavo começou na profissão acompanhando os tios que sempre foram flanelinhas. Hoje ele sustenta a filha de quatro anos com o dinheiro que os motoristas oferecem.
Pensando em melhorar a situação no lugar de proibir o trabalho dos flanelinhas, Salomão Mattos Sobrinho, secretário da SESP (Secretaria de Serviços Públicos de Florianópolis), pretende ordenar as funções. “A ideia é manter a ordem em espaços previamente determinados”, explica Salomão. Para dar o primeiro passo solicitou à Guarda Municipal e aos Policiais Militares vistorias para averiguar onde os flanelinhas estão localizados e o número exato desses “cuidadores de carros” existentes em Florianópolis.
“Ainda não sabemos como vamos atuar nessa regularização, nem como faremos para sinalizar quais são os flanelinhas autorizados”, aponta Salomão que recentemente fez ações semelhantes com os vendedores de passe, na área central de Florianópolis.
Guarda contesta a regulamentação
O comandante da Guarda Municipal de Florianópolis, Ivan da Silva Couto Junior, não acredita que há possibilidade de regularizar a situação dos flanelinhas. “O que precisamos fazer, e com urgência, é impedir os casos de extorsão. Nenhum motorista pode se sentir ameaçado ou obrigado a dar dinheiro a esses flanelinhas”, enfatiza o comandante.
O pedido do comandante é que os motoristas entrem em contato com a Guarda Municipal ou Polícia Militar no caso de intimidações. “Precisamos registrar o BO (Boletim de Ocorrência) para que haja algum tipo de punição a esses flanelinhas que abusam de uma autoridade que eles não têm”, lembra Ivan.
A funcionária do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Márcia Seidel, também não acredita no projeto de retirar os flanelinhas da informalidade. “Deixo meu carro todos os dias com um deles que ganhou minha confiança, mas em outros lugares muitas vezes até sinto medo porque alguns usam drogas e podem me ameaçar”, declara Márcia.
Para o comandante da Guarda Municipal, seria um contra-senso institucionalizar a profissão de flanelinha. “É muito difícil ter controle sobre os lugares onde eles ficam. Em dias de grandes shows ou jogos de futebol surgem inúmeros desses trabalhadores”, diz o comandante.
Audiência pública
Na última terça-feira (16), o vereador Asael Pereira (PSB) requereu uma audiência pública para debater a ação dos flanelinhas nas ruas de Florianópolis. A audiência ainda não tem data para acontecer, mas foi motivada pelas constantes reclamações que a Câmara Municipal de Florianópolis tem recebido.
“Precisamos regulamentar essa atividade porque o cidadão se torna indefeso, fica refém dessas pessoas que os abordam de forma constrangedora”, assinala.
Fonte: Portal Universal SC
Fonte: Portal Universal SC
