Um moleton cinza, um agasalho preto e uma touca. Nosso produtor flanelinha está pronto para encarar as ruas. Estádio do Morumbi, zona sul da capital paulista. Semi-final da copa Libertadores da América. Dia de muita movimentação nas ruas em torno do campo. Motoristas estacionam e os flanelinhas determinam as vagas. O carro da nossa equipe é disputado pelos flanelinhas. O território é defendido centímetro por centímetro.
Nosso produtor recebe uma aula básica de como deve abordar um motorista e resolve colocar em prática a aula recebida. Dentro do estádio, o placar final foi dois a um para o São Paulo em cima do Internacional, mas a vaga para a final da taça Libertadores da América ficou com o time gaúcho. No apito final onde estão os flanelinhas?
No dia seguinte nosso destino é a movimentada 25 de março. Nosso produtor vai tentar trabalhar de flanelinha na mais famosa rua de comércio popular. Os flanelinhas não se intimidam com a presença dos fiscais da CET - Companhia de Engenharia de Tráfego. Os marronzinhos apenas fiscalizam a zona azul e carros estacionados em local proibido. A convivência com os flanelinhas é tranquila.
Aqui mais um registro do descaso com as leis de trânsito. O flanelinha indica um local proibido, embaixo de um elevado. O motorista estaciona, sai do carro, mas é informado que tem que pagar adiantado. Sem saída, ele abre o carro, pega o dinheiro e paga o flanelinha. Poucos minutos depois, o mesmo flanelinha coloca outro carro atrás do estacionado anteriormente. Em seguida, um terceiro carro chega. Em pouco tempo, uma fila de veículos estacionados em local proibido.
O motorista paga em média 15 reais por um valet em São Paulo. Dinheiro para garantir a segurança. O que acontece, de fato, é que os carros ficam mesmo é nas ruas e, muitas vezes, em local proibido. E as irregularidades não param. Este manobrista dirige o carro do cliente na contramão. Este outro deixa o carro na faixa de ônibus.
A Polícia Militar entra em campo com reforços para intimidar e reprimir assaltos, ambulantes irregulares e flanelinhas. A escolha do dia não poderia ser melhor: um clássico com uma estimativa de público de 30 mil. A operação militar de combate aos flanelinhas reúne 380 soldados e começa três horas antes da partida. No final da operação 10 suspeitos de aturarem como flanelinhas são detidos para averiguação.
A necessidade de trabalho não pode jamais ser um pretexto para a ilegalidade. Guardar carros pode perfeitamente ser uma atividade exercida com dignidade. Para isso são necessárias regras e fiscalização do poder público. Quando as autoridade se omitem, ruas se transformam em selva. Fonte: Conexão Repórter
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