quinta-feira, 2 de junho de 2011

Guardadores ilegais viram garotos propaganda em Niterói

‘Flanelinhas’ foram flagrados usando ‘uniforme’ de empresa de monitoramento por GPS. Atitude irrita secretário municipal e Prefeitura avisa que vai investigar denúncia


Flanelinhas irregulares continuaram agindo impunemente em vários pontos de Niterói. Na tarde desta segunda-feira, três deles exigiam dinheiro de motoristas que estacionavam em frente a um restaurante da Praia de Charitas, na Zona Sul da cidade. Chamava atenção o fato de todos estarem vestidos com camisa laranja, de uma empresa de monitoramento de veículos por satélite, com sede em Niterói.
Um deles contou que a empresa pagou para eles usarem as camisas com a propaganda devido ao contato direto com os motoristas. A denúncia irritou o secretário municipal de Segurança e Controle Urbano, Wolney Trindade, que enviará guardas ao local para checar a informação. Ele também irá notificar a delegacia de Jurujuba (79ª DP) e o 12º BPM (Niterói).
“Se nós confirmarmos que essa empresa está pagando esses flanelinhas para fazer propaganda, ela poderá sofrer ação fiscal. A empresa será, inclusive, multada por propaganda ilegal. É um absurdo que uma instituição com sede na cidade incentive e financie atividades irregulares”, declarou Wolney.
A ação impune dos flanelinhas na cidade não é novidade para o secretário, que já enviou dossiê à Secretaria de Estado de Segurança Pública, como mostrou O FLUMINENSE na edição de sábado. Mesmo sem autorização para explorar o serviço, guardadores irregulares chegam a exigir R$ 20 de motoristas em troca de vagas em espaços públicos, em especial durante a noite. Os que não cedem à chantagem acabam tendo seus carros danificados ou sofrem agressões físicas.
Uma moradora de São Francisco confirmou que o grupo cobra valores abusivos, mas que os frequentadores do local têm medo de denunciar.
“Moro em São Francisco, o bairro que mais tem flanelinhas na cidade e morro de medo deles, porque eles ameaçam mesmo. A fama que rola é de que são todos ligados a coisas ruins, mas não tenho coragem de denunciar por medo de represália. Fico feliz que alguém quer tomar uma atitude quanto a esse horror que se espalhou pela cidade”, desabafou.
Cinco flanelinhas que atuam há 15 anos na região seriam moradores do Morro do Preventório. Outro grupo assumiria o serviço à noite. Um deles revelou que o valor cobrado varia de acordo com o modelo do carro, mas considerou essa uma forma honesta de ganhar e sugeriu até que a Prefeitura legalizasse a ação deles no local.
A Prefeitura, por sua vez, informou que não vai legalizar a atividade e a Nit Park é a única empresa autorizada a explorar a atividade em pontos permitidos.
MP denuncia - A 4ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal da 2ª Central de Inquéritos denunciou nesta segunda-feira um ex-flanelinha de Niterói pelo crime de homicídio duplamente qualificado. Ele matou a tiros um ex-colega de ofício, em plena luz do dia, no Centro, em abril deste ano. Fonte: O Fluminense.

Um comentário:

  1. Em relação a esta matéria, postei o seguinte comentário no "O Fluminense":
    "A Prefeitura de Niterói esta correta em não legalizar uma atividade "flanelinhas" que nunca existiu, mais também não pode colocar a população contra um profissional devidamente qualificado, o guardador de veículos sindicalizado, que para obter o seu registro profisiional na Delegacia Regional do Trabalho, tem que apresentar, nos termos da legislação federal (Lei nº 6.242/75 regulamentada pelo Decreto nº 79.797/77), além dos documentos regulares, as Certidões Negativa dos Cartórios Criminais".

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